Mostra reúne 14 trabalhos inéditos da artista, dos quais seis resultam da pesquisa realizada durante sua residência artística na “Cité Internationale des Arts”, em Paris

A Simões de Assis dá início à sua programação de 2026 com a exposição individual da artista franco-brasileira Julia Kater. Em cartaz de 22 de janeiro a 07 de março, a mostra “Duplo” será exibida em São Paulo, no espaço térreo, com texto crítico assinado pela curadora e pesquisadora Pollyana Quintella.
Com colagens e fotografias impressas sobre a seda, a mostra reúne 14 trabalhos inéditos da artista, dos quais seis resultam da pesquisa realizada durante sua residência artística na “Cité Internationale des Arts” (Paris, 2025).
Em sua prática, a artista investiga a relação entre a paisagem, a cor e a superfície. Ela transita pela fotografia e pela colagem, concentrando-se na construção da imagem por meio do recorte e da justaposição. Na fotografia, Kater parte do entendimento de que toda imagem é, por definição, um fragmento – um enquadramento que recorta e isola uma parte da cena. Em sua obra, a imagem não é apenas um registro de um instante, mas sim, resultado de um deslocamento – algo que se desfaz e se recompõe do mesmo gesto. As imagens, muitas vezes próximas, não buscam documentar, mas construir um novo campo de sentido. Nas colagens, o gesto do recorte ganha corpo. Fragmentos de fotografias são manualmente cortados, sobrepostos e organizados em camadas que criam passagens visuais marcadas por transições sutis de cor. Esses acúmulos evocam variações de luz, atmosferas e a própria passagem do tempo através de gradações cromáticas.
Na individual “Duplo”, Julia Kater apresenta trabalhos recentes, desenvolvidos a partir da pesquisa realizada durante sua residência artística em Paris. “Minha pesquisa se concentra na paisagem e na forma como a cor participa da construção da imagem – ora como elemento acrescentado à fotografia, ora como algo que emerge da própria superfície. Nas colagens, a paisagem é construída por recortes, justaposições e gradações de cor. Já nos trabalhos em tecido, a cor atua a partir da própria superfície, por meio do tingimento manual, atravessando a fotografia impressa. Esses procedimentos aprofundam a minha investigação sobre a relação entre a paisagem, a cor e a superfície”, explica a artista.
Em destaque, duas obras que serão exibidas na mostra: uma em tecido que faz parte da nova série e um díptico inédito. Corpo de Pedra (Centauro), 2025, impressão digital pigmentária sobre seda tingida à mão com tintas a base de plantas e, Sem Título, 2025, colagem com impressão em pigmento mineral sobre papel matt Hahnemüle 210g, díptico com dimensão de 167 x 144 cm cada.
A artista comenta: “dou continuidade às colagens feitas a partir do recorte de fotografia impressa em papel algodão e passo a trabalhar com a seda também como suporte. O processo envolve o tingimento manual do tecido com plantas naturais, como o índigo, seguido da impressão da imagem fotográfica. Esse procedimento me interessa por sua proximidade com o processo fotográfico analógico, sobretudo a noção de banho, de tempo de imersão e de fixação da cor na superfície”. Todas as obras foram produzidas especialmente para a exposição, que fica em cartaz até 07 de março de 2026.
Sobre a artista
Julia Kater (1980, Paris) é formada em Fotografia pela ESPM (2004) e em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003). Sua prática atravessa a fotografia, a colagem e o vídeo, com foco na elaboração da imagem a partir do recorte e da justaposição. Na fotografia, a artista parte do entendimento de que toda imagem é, por definição, um fragmento – um enquadramento que recorta e isola uma parte da cena. Em sua obra, a imagem não é apenas um registro de um instante, mas resultado de um deslocamento – algo que se desfaz e se recompõe no mesmo gesto. As imagens, muitas vezes próximas, não buscam documentar, mas construir um novo campo de sentido.
Nas colagens, o gesto do recorte ganha corpo. Fragmentos de fotografias são manualmente cortados, sobrepostos e organizados em camadas que criam passagens visuais marcadas por transições sutis de cor. Esses acúmulos evocam variações de luz, atmosferas e a própria passagem do tempo através de gradações cromáticas. Em certos momentos, a imagem se impõe à experiência direta – não como reflexo do vivido, mas como uma construção que assume o lugar daquilo que se viveu. A paisagem, elemento recorrente em sua obra, é composta por planos em constante disputa, onde fragmentos de céu, terra e mar parecem reivindicar o lugar uns dos outros. Por meio do recorte e da sobreposição, essas instâncias visuais se confrontam e redefinem seus contornos, instaurando uma dinâmica de ocupação e retirada que desestabiliza a estrutura da imagem.
Em seus vídeos, a artista encena tentativas de dar forma à experiência a partir de uma linguagem que falha. Há sempre um gesto em andamento – construir, remover, sustentar – tensionado por algo que o desvia ou desestabiliza. O que foi negligenciado retorna como ruína, interferindo nos gestos e contaminando a paisagem. O movimento é contínuo, mas sem chegada – uma persistência que revela tanto o impulso de construir quanto a impossibilidade de concluir.
Em 2025, foi selecionada para participar da residência Cité Internationale des Arts, Paris. Suas principais exposições individuais são Breu (Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2018), Da banalidade: vol.1 (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2016), No lugar que chegamos (Museu de Arte Contemporânea de Jataí, Goiás, 2016), Como se fosse (Caixa Cultural, Brasília, 2014), Quase um (Simões de Assis, São Paulo, 2021) e Acordo (Palazzo Rossini, GAA Foundation, Veneza, 2017). Participou de exposições coletivas e festivais internacionais como Rencontres Internationales Paris/Berlin – New Cinema and Contemporary Art (França e Alemanha, 2017), Chicago Underground Film Festival (EUA, 2021), Anthology Film Archives (Nova York, 2018), Lichter Film Festival (Alemanha, 2021), Bienal de Assunção (Paraguai, 2015), PhotoEspaña (Portugal, 2015), Frestas – Trienal de Artes (SESC Sorocaba, 2014) e About Change (World Bank, Washington, 2011). Sua obra integra coleções públicas como o Museu de Arte do Rio – MAR, o Museu Oscar Niemeyer – MON, a Fundação Luis Seoane (Espanha), a Fundação PLMJ (Portugal) e o Museu de Arte de Ribeirão Preto – MARP.
Sobre a Simões de Assis
Com mais de 40 anos de história, a Simões de Assis é uma das principais galerias da América Latina dedicadas à arte moderna e contemporânea. Inaugurada em Curitiba, Brasil, em 1984, é conduzida por duas gerações da família fundadora, operando em três sedes – São Paulo, Curitiba e Balneário Camboriú.
A galeria representa um grupo curado de 37 artistas e espólios, com foco especial na arte brasileira, mas também na arte latino-americana em diálogo com perspectivas globais. A Simões de Assis é profundamente comprometida com a internacionalização de seu programa, estabelecendo parcerias com importantes galerias, museus e curadores ao redor do mundo. Em estreita colaboração com colecionadores e instituições, busca posicionar seus artistas em importantes coleções públicas e privadas, por meio da participação regular nas feiras de arte mais relevantes – o que reflete sua visão estratégica e sua crescente atuação internacional.
Como pioneira na promoção de diálogos transgeracionais, a Simões de Assis trabalha com artistas consagrados e emergentes, construindo um programa que combina elementos históricos e uma visão voltada para o futuro. Como um projeto multigeracional, é uma plataforma de amplo alcance para intercâmbios culturais, moldando o legado da arte brasileira e latino-americana dentro de um sistema artístico globalizado e interconectado.
Serviço
“Duplo”, individual inédita da artista Julia Kater
Entrada gratuita
Abertura: 22 de janeiro, quinta-feira, das 18h às 21h
Período de visitação: de 22 de janeiro a 07 de março de 2026
Local: Galeria Simões de Assis | Alameda Lorena, nº 2050 – Jardins, São Paulo/SP
Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h
Site: www.simoesdeassis.com
Instagram: @simoesdeassis_
Facebook: fb.com/simoesdeassisgaleria





