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Flavia Renault celebra 30 anos de carreira com exposição inédita no Fonte, em São Paulo

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Mostra reúne cerca de 50 obras que abordam temas como vida, morte e renascimento a partir de objetos cotidianos e memórias pessoais

Flavia Renault. Crédito: Divulgação

A artista Flavia Renault celebra 30 anos de trajetória com a exposição individual “Casa Corpo”, em cartaz de 1º a 25 de abril no Fonte, em São Paulo. Com curadoria de Paula Borghi, a mostra reúne cerca de 50 obras, incluindo trabalhos inéditos, que abordam temas como vida, morte e renascimento a partir de objetos cotidianos e memórias pessoais.

Influenciada pelo Barroco Mineiro e por sua história familiar, a produção da artista se caracteriza pelo forte caráter simbólico e espiritual. Em suas obras, resíduos e objetos colecionados são reorganizados em sobreposições que revisitam memórias pessoais, familiares e ficcionais. Renault transita entre desenho, pintura, costura e bordado, incorporando documentos, livros antigos, móveis, fotografias e outros elementos de sua coleção pessoal.

Entre os destaques está a instalação “Sapatinho de Cristal” (1999), remontada com cerca de 3 mil copos de vidro para a exposição. O vidro, presente desde a infância da artista – filha de vidreiro -, aparece como um dos elementos centrais da mostra, pois reúne transparência, alquimia e elementos da casa em si. A obra também dialoga com sua história biográfica, uma vez que seus bisavós trouxeram a cultura do vidro para a família ao fundarem uma fábrica de vidros em São Paulo no início do século XX. “A instalação é uma homenagem a essa ancestralidade, trazendo o vidro como elemento moldado pelo sopro e pelo fogo”, explica a curadora Paula Borghi.

Renault apresenta ainda “Coluna” (2026), trabalho inédito composto por copos de vidro empilhados do piso ao teto.  “Erguida na intenção de conectar dois planos, a instalação atua como uma ponte entre o céu (espiritual) e a terra (físico), a fim de trazer as essências espirituais para a realidade terrena e de levar a potência terrena para o cosmos”, comenta Borghi.

No dia da abertura (1º de abril), o público poderá experimentar uma pintura comestível: um bolo de pão de ló com recheio de doce de leite, pensado como uma forma de vivenciar a obra pelo corpo, por meio da digestão. “O processo da digestão é o mais difícil para o ser humano. É como se fosse uma guerra – muitas forças atuam para separar o que é essencial do que é descartável. A arte deve ser vivida dessa forma, intrinsecamente”, afirma a artista.

“Casa Corpo: Flavia Renault 30 anos de produção” reúne desenhos, colagens, fotografias, vídeo, bordados e instalações, propondo ao visitante uma reflexão sobre corpo, memória e espiritualidade por meio da materialidade dos objetos. Uma produção artística que liberta o objeto de arte de seu caráter formalista e dissolve as fronteiras entre arte e vida.

Sobre a produção da artista, Paula Borghi comenta: “É quase inevitável olhar o trabalho de Flavia Renault e não perceber a energia dos elementos, a função das coisas no mundo e as trocas físicas e energéticas que se tem com os materiais. Aqui, toda experiência física é corporal e toda experiência artística é espiritual”.

Sobre a artista

Flavia Renault (Rio de Janeiro, 1971) vive e trabalha em São Paulo. Formada em artes plásticas pela FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado, sua produção é marcada por um forte caráter simbólico e espiritual, articulando memórias pessoais e referências culturais por meio do uso de objetos e materiais diversos.

Em 2026, foi premiada pelo júri internacional no Festival de Videoarte Pangue, no Chile. Participou de programas de residência artística como “Fenomenologia de Goethe”, com Sérgio Spalter e Cecília Tilkien (Chile, 2018 e 2022; Reino Unido, 2023), e “Aquarela com Pink Wainer” (Chile, 2022). Entre suas principais exposições individuais estão “Roda das Deidades” (Galeria da FAV, Faculdade de Artes Visuais, Universidade Federal de Goiás, 2025 e Centro Cultural UFMG, Minas Gerais, 2024), “Arquipélago” (Centro Cultural Correios, São Paulo, 2023) e “Territórios” (Atelier 234, São Paulo, 2022).

Participou também de exposições coletivas no Brasil e no exterior, como o Festival de Videoarte Pangue (Chile, 2026), Ras Al Khaimah Art – Bienal de Arte Contemporânea (Emirados Árabes, 2026), entre outras.

Flavia Renault é uma das idealizadoras da Radar Arte Contemporânea, feira de arte independente que fundou ao lado de Daniela Schiller e Mariana Porto (in memorian), e que chega a sua 6ª edição em 2027.

Sobre o Fonte

O Fonte é um espaço autônomo de produção, reflexão e exibição em artes visuais, atuando desde 2013 na Vila Madalena, em São Paulo. Desde então, consolidou-se como um ponto de encontro e experimentação para a comunidade artística local e internacional.

Ao longo de sua trajetória, promoveu mais de 53 residências artísticas – acolhendo nomes como Martin Lanezan, Pilar Quinteros, Sandra Gamarra, Dudx, Carlos Monroy, Lyz Parayzo – e realizou mais de 30 exposições individuais e coletivas -, incluindo parcerias com galerias como Sé, Raquel Arnaud, Casa Triângulo e instituições como Instituto Tomie Ohtake, Paço das Artes e Videobrasil -, além de inúmeras atividades formativas, performances, conversas e publicações.

O Fonte opera em um galpão com 10 ateliês, espaço expositivo, dormitórios e áreas de convivência. Mantém uma rede de colaboração ativa com outros espaços independentes – Hermes Artes Visuais, Ateliê Fidalga, Vão, Canteiro, Soda -, participando de iniciativas como o Circuito de Ateliês Abertos da SP-Arte. Seu modelo de gestão horizontal, baseado na autogestão, no afeto e na colaboração, é reconhecido como referência na cena cultural paulistana.

Serviço

Casa Corpo: Flavia Renault 30 anos de produção”

Entrada gratuita

Abertura: 1º de abril, quarta-feira, das 17h às 21h

Período de visitação: de 1º a 25 de abril de 2026

Local: Fonte | Rua Mourato Coelho, nº 751 – Pinheiros, São Paulo/SP

Horário de funcionamento: quinta a sábado, das 14h às 19h

www.font-e.org

@flaviarenault_

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Patrícia Marrese

Patrícia Marrese é formada em Relações Públicas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e certificada em Ballet Clássico. É mestre em Comunicação e Cultura pela Université Côte d’Azur, na França.